Hemorroidas: 5 verdades que você precisa saber

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Hemorroidas e Saúde Intestinal - 5 Verdades

As hemorroidas são extremamente frequentes, mas ainda existe muito constrangimento quando o assunto envolve sintomas na região anal. No consultório, percebo que muitos pacientes convivem durante meses — algumas vezes anos — com sangramento, desconforto, coceira ou dor antes de procurar um proctologista.

Depois de mais de 45 anos trabalhando com proctologia em Porto Alegre, aprendi que grande parte desse sofrimento poderia ser evitada com informação adequada e, principalmente, com a investigação correta dos sintomas.

Também existem muitos conceitos equivocados sobre a doença hemorroidária. Um deles é imaginar que toda hemorroida dói. Outro é considerar qualquer sangramento ao evacuar como consequência das hemorroidas.

Por isso, reuni neste artigo 5 verdades sobre hemorroidas que considero especialmente importantes a partir da minha experiência no consultório.

Se você procura um conteúdo completo sobre a doença hemorroidária — incluindo tipos, sintomas, causas e possibilidades de tratamento — consulte também o guia completo sobre hemorroidas. Neste artigo, vou me concentrar em cinco questões que aparecem com frequência na minha prática como proctologista.

Agora, vamos a elas.

1. Hemorroidas podem sangrar sem causar dor

Essa é uma das situações que mais confundem os pacientes.

As hemorroidas podem ter diferentes apresentações, e os sintomas não são necessariamente os mesmos.

As hemorroidas internas, principalmente em determinadas situações, podem provocar sangramento vermelho vivo sem dor. O paciente pode perceber sangue no papel higiênico, no vaso sanitário ou sobre as fezes.

Isso ocorre porque a região onde se originam as hemorroidas internas apresenta uma sensibilidade diferente daquela da pele ao redor do ânus.

Já uma dor anal intensa e de início súbito pode ocorrer, por exemplo, em uma trombose hemorroidária externa. Nessa situação, surge um coágulo no plexo hemorroidário externo e pode aparecer um nódulo doloroso próximo ao ânus.

Portanto, uma regra importante é:

A ausência de dor não significa que um sangramento deva ser ignorado.

Da mesma maneira, nem toda dor na região anal é provocada por hemorroidas.

A fissura anal, por exemplo, frequentemente provoca dor durante ou depois da evacuação e também pode apresentar sangramento. É uma das condições que os pacientes mais confundem com hemorroidas.

Se quiser entender melhor as diferentes apresentações da doença hemorroidária, veja também o conteúdo sobre hemorroida interna e hemorroida externa.

2. Ficar muito tempo sentado no vaso sanitário é um hábito que deve ser evitado

O vaso sanitário não deveria se transformar em um lugar para permanecer lendo notícias, respondendo mensagens ou navegando no celular.

Permanecer ali por tempo desnecessariamente prolongado, especialmente associado ao esforço evacuatório, é um hábito que procuro desencorajar.

Outro problema frequente é adiar repetidamente a vontade de evacuar.

Quando isso acontece, as fezes podem permanecer mais tempo no intestino e ficar mais ressecadas, dificultando a evacuação posteriormente.

Temos então uma combinação pouco favorável:

fezes endurecidas + esforço evacuatório + tempo excessivo no vaso sanitário.

Algumas atitudes simples podem ajudar:

  • procure evacuar quando surgir a vontade;
  • não permaneça desnecessariamente sentado no vaso sanitário;
  • evite transformar a evacuação em um período de uso do celular;
  • evite fazer força excessiva;
  • mantenha uma alimentação adequada;
  • tenha ingestão apropriada de líquidos;
  • investigue a constipação quando ela for frequente.

 

Quando o intestino preso é recorrente, não devemos simplesmente aprender a conviver com ele. É importante avaliar hábitos e, quando necessário, investigar sua causa.

E existe um ponto importante: corrigir o funcionamento intestinal não serve apenas para quem já teve hemorroidas. Manter uma evacuação sem esforço excessivo é parte do cuidado com a saúde intestinal e anorretal de maneira geral.

3. Nem todo sangramento é hemorroida

Talvez esta seja a informação mais importante deste artigo.

É muito comum o paciente observar sangue ao evacuar e concluir:

“Deve ser hemorroida.”

Pode ser.

Mas não devemos estabelecer esse diagnóstico apenas pela aparência do sangramento.

Hemorroidas estão entre as possíveis causas de sangramento anal, mas fissuras, pólipos, processos inflamatórios e outras doenças do intestino também podem provocar sangramento.

Ao longo da minha carreira, acompanhei pacientes que chegaram ao consultório convencidos de que apresentavam apenas hemorroidas e, durante a investigação, identificamos outras alterações que precisavam de atenção.

Isso não significa que todo sangramento seja sinal de uma doença grave.

Significa que o importante é identificar sua origem.

Esse cuidado merece atenção porque o câncer colorretal pode apresentar poucos sintomas em suas fases iniciais e alterações como sangramento ou uma mudança persistente do hábito intestinal precisam ser avaliadas dentro do contexto de cada paciente.

Dependendo da idade, dos antecedentes pessoais e familiares, das características do sangramento e da presença de outros sintomas, pode haver indicação de investigar também o intestino.

A colonoscopia é um dos exames utilizados para avaliar o intestino grosso e pode identificar alterações como pólipos e tumores, além de permitir a retirada de muitos pólipos durante o próprio procedimento.

Isso é relevante porque determinados pólipos intestinais podem ser lesões precursoras do câncer colorretal, e sua identificação e remoção fazem parte das estratégias de prevenção.

Quando o sangramento merece avaliação?

Procure avaliação médica especialmente quando o sangramento:

  • é recorrente;
  • aumenta de intensidade;
  • aparece misturado às fezes;
  • vem acompanhado de alteração persistente do hábito intestinal;
  • ocorre associado à perda de peso sem explicação;
  • está acompanhado de anemia, cansaço ou fraqueza;
  • surge em uma pessoa com antecedentes pessoais ou familiares relevantes.

 

E mesmo fora dessas situações, um sangramento sem causa estabelecida não deve ser automaticamente atribuído às hemorroidas.

O exame realizado pelo proctologista muitas vezes consegue esclarecer a origem do problema e determinar se existe necessidade de investigação complementar.

Se você tem dúvida sobre quais sintomas justificam uma avaliação, veja também Quando procurar um proctologista?

4. Ter hemorroidas não significa necessariamente precisar de cirurgia

Esse é provavelmente um dos maiores receios que encontro no consultório.

Durante muitos anos, a cirurgia convencional para hemorroidas ficou conhecida pelos pacientes principalmente pelo desconforto do pós-operatório. Por causa disso, ainda hoje algumas pessoas adiam a consulta imaginando que:

diagnóstico de hemorroida = cirurgia.

Não é assim.

Nem todo paciente com hemorroidas precisa operar.

A escolha do tratamento depende de diversos fatores: sintomas, tipo e grau da doença, presença de prolapso, frequência das crises, tratamentos realizados anteriormente e características individuais do paciente.

Ao longo da minha carreira, acompanhei também a evolução das opções disponíveis para tratar a doença hemorroidária.

Utilizo, por exemplo, a fotocoagulação por infravermelho há mais de três décadas em casos adequadamente selecionados. Existem também procedimentos como ligadura elástica e escleroterapia, além de diferentes técnicas cirúrgicas.

Mas aqui existe uma questão mais importante do que simplesmente enumerar procedimentos:

Não existe uma única técnica que seja a melhor para todas as hemorroidas e para todos os pacientes.

O tratamento mais adequado não é necessariamente o mais novo ou o mais sofisticado. É aquele corretamente indicado depois de considerar o diagnóstico, os sintomas e as características da doença.

Por isso, prefiro que este artigo não se transforme em um catálogo de procedimentos.

Para entender as diferentes opções e em quais situações elas podem ser consideradas, consulte o guia sobre tratamentos para hemorroidas.

A classificação também pode ser importante na escolha terapêutica. Veja os diferentes graus das hemorroidas.

5. Cuidar do funcionamento intestinal continua importante depois do tratamento

Tratar a hemorroida sem prestar atenção aos hábitos intestinais é cuidar apenas de uma parte do problema.

Um dos objetivos é conseguir evacuar sem esforço excessivo e evitar fezes persistentemente endurecidas.

Na prática, costumo orientar alguns cuidados básicos.

Consuma fibras regularmente

Frutas, verduras, legumes, cereais integrais e outros alimentos ricos em fibras podem contribuir para o funcionamento intestinal.

A quantidade adequada, porém, varia entre as pessoas e pode precisar ser ajustada de acordo com cada situação.

Mantenha ingestão adequada de líquidos

A hidratação também faz parte do cuidado com o funcionamento intestinal.

Simplesmente aumentar muito a quantidade de fibras sem considerar a ingestão de líquidos e a tolerância individual nem sempre produz o resultado esperado.

Não adie repetidamente a evacuação

Sempre que possível, procure respeitar o funcionamento natural do organismo.

Evite esforço e tempo excessivo no vaso sanitário

Evacuar não deve se transformar em um período prolongado de leitura ou uso do celular.

Pratique atividade física

A atividade física faz parte de um estilo de vida saudável e pode contribuir também para o funcionamento intestinal.

Cuide da região anal sem exageros

Outro ponto que costumo orientar é evitar uma limpeza excessivamente agressiva.

O atrito repetido com papel higiênico pode irritar a pele, principalmente quando já existe coceira ou inflamação.

Quando houver irritação, a higiene delicada com água pode ser mais confortável. Produtos perfumados ou potencialmente irritantes devem ser utilizados com cautela.

O objetivo é simples:

higienizar sem traumatizar a pele da região anal.

Afinal, quando devo procurar um proctologista?

Sangramento, dor persistente ou intensa, aparecimento de um nódulo, saída de tecido pelo ânus ou uma mudança persistente do funcionamento intestinal são situações que merecem avaliação.

Mas existe outra razão bastante simples para procurar o especialista:

quando você não sabe exatamente o que está causando o sintoma.

O principal conselho que posso deixar é não permitir que o constrangimento adie um diagnóstico.

Hemorroidas fazem parte da rotina do consultório de Coloproctologia. Fissuras, alterações do funcionamento intestinal e outras doenças da região anal também.

O objetivo da consulta não é simplesmente confirmar se o paciente “tem hemorroida”.

É descobrir qual é a causa do sintoma e, a partir daí, decidir se algum tratamento ou investigação é necessário.

Minha mensagem para quem sofre com hemorroidas

Depois de mais de 45 anos trabalhando com proctologia, posso dizer que uma das grandes mudanças que acompanhei foi a evolução das possibilidades de tratamento.

Hoje dispomos de diferentes alternativas terapêuticas, que podem ser escolhidas de acordo com as características de cada caso.

O que infelizmente ainda existe é o constrangimento de algumas pessoas em procurar ajuda.

Não deveria existir vergonha em cuidar do intestino ou da região anal.

Se existe sangramento, dor, coceira, um nódulo ou qualquer alteração persistente, procure descobrir a causa.

Muitas vezes encontramos um problema simples. E, quando existe algo que exige maior atenção, identificá-lo adequadamente torna-se ainda mais importante.

Para aprofundar especificamente seus conhecimentos sobre a doença, seus tipos, sintomas e tratamentos, consulte o portal hemorroidas.com.br.

 

Artigo escrito e revisado por

Dr. Gilberto Saute
Médico especialista em Coloproctologia
CRM-RS 7346 | RQE 7088
Consultório em Porto Alegre – RS

Última revisão médica: setembro de 2026

As informações deste artigo têm finalidade educativa e não substituem avaliação médica individual.

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Perguntas frequentes sobre hemorroidas

Quais as perguntas mais frequentes dos pacientes no consultório?

Sempre procure um especialista. Não se automedique. 

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Hemorroida pode sangrar sem doer?

Sim. Hemorroidas internas podem apresentar sangramento sem necessariamente causar dor. Entretanto, a origem de um sangramento anal não deve ser presumida sem avaliação adequada.

Todo sangramento anal é causado por hemorroidas?

Não. Existem diferentes causas de sangramento anal ou intestinal. Fissuras, pólipos, processos inflamatórios e outras doenças também podem provocar sangramento. Por isso, sangramento recorrente ou sem causa estabelecida merece avaliação.

Toda hemorroida precisa de cirurgia?

Não. Existem medidas conservadoras, procedimentos ambulatoriais e tratamentos cirúrgicos. A escolha depende dos sintomas, do tipo e grau da doença e das características de cada paciente.

O tratamento das hemorroidas dói?

Depende do procedimento e da situação clínica. Existem tratamentos bastante diferentes entre si, desde medidas conservadoras e procedimentos ambulatoriais até operações. A escolha deve ser individualizada.

Ficar muito tempo sentado no vaso sanitário faz mal?

Permanecer desnecessariamente no vaso sanitário, especialmente associado a esforço evacuatório, é um hábito que deve ser evitado.

Como diminuir a chance de novas crises?

Manter hábitos intestinais adequados, evitar esforço evacuatório e tempo excessivo no vaso sanitário, consumir fibras e líquidos de maneira apropriada e praticar atividade física são medidas que podem fazer parte da prevenção.

Dr.Gilberto Saute CRM-RS 7346RQE 7088

Especialista em Coloproctologia com registro de qualificação reconhecido pelo Conselho Regional de Medicina no diagnóstico e tratamento de hemorroidas e doenças anorretais com ampla experiência clínica e cirúrgica em Porto Alegre.

Dr. Gilberto Saute entrevistado no Programa do Jô
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Dr. Gilberto Saute - Proctologista

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Conteúdo por Dr. Gilberto Saute — Proctologista